quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Vídeo tocante mostra irmãs cegas enxergando o mundo pela primeira vez

indianas8

Para ajudar e saber mais sobre esse trabalho fabuloso, entre no site da ONG aqui.


Na Índia e em outros países subdesenvolvidos, a cegueira é uma epidemia – desde crianças recém nascidas a pessoas com 80 anos, todos podem, de repente, contrair o problema.
Em especial, as irmãs indianas Sonia e Anita, de 12 e 6 anos, nasceram sem visão também, e o caso de cegueira delas poderia ser resolvido com uma cirurgia que dura 15 minutos. Trata-se uma técnica que restaura a visão, mesmo que a pessoa tenha nascido cega e o procedimento é simples: o cristalino do paciente é removido e reposto com lentes artificiais que custam 2 dólares. Ao todo, a intervenção custa 300 dólares.
Quem faz todo esse trabalho é a ONG 20/20/20, especialista nesse tipo de procedimento, que devolveu a visão às irmãs Sonia e Anita e a muitas outras pessoas, em mais de 40 países. A cegueira nesses países com comunidade rurais e mais afastadas dos centros urbanos causa dor e sofrimento, pois a pessoa que fica cega não pode continuar seu plantio (normalmente, a única fonte de renda), as mulheres perdem seus maridos e todas as chances de ter uma vida digna.
No vídeo abaixo feito pela ONG, é mostrado o acompanhamento das irmãs nas suas vidas antes da cirurgia, o pré-operatório, e finalmente a remoção das bandagens. O que se segue é arrebatador, com as duas a conseguir enxergar o mundo pela primeira vez. Vale a pena ver:

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

OPINIÃO O manicómio SANTANA CASTILHO 08/10/2014 - 03:16

Sob a tónica da insensatez do desvairado que o dirige, o Ministério da Educação e Ciência assemelha-se a um manicómio gerido pelos doentes.

O grotesco do caos em que o início do ano lectivo se transformou vai do cómico ao dramático. Sob a tónica da insensatez do desvairado que o dirige, o Ministério da Educação e Ciência assemelha-se a um manicómio gerido pelos doentes. A última paciente, a directora-geral da Administração Escolar, decidiu sambar na cara de milhares de alunos, pais e professores: com a coragem própria dos cobardes, mandou os directores despedirem os professores anteriormente contratados. Sim, esses mesmos em que o leitor está a pensar. Aqueles a quem o ministro Crato (entretanto desaparecido atrás da palavra que não tem) garantiu, na casa da democracia, que não teriam qualquer espécie de prejuízo quando ele, ministro incompetente, corrigisse o enorme disparate para que acabava de pedir a desculpa da nação.
Leio que são 150 nestas condições. Contratos antes assinados, agora rasgados. Como o daquela colega de Bragança, colocada em Constância a 12 de Setembro e reenviada para Vila Real de Santo António a 3 de Outubro. Casa alugada com caução perdida. Filha a mudar de escola outra vez. Confiança no Estado caída na lama, a reclamar, pelo menos em nome da decência mínima e última, que algo aconteça. Porque não se trata da consciência que o ministro não tem. Trata-se da obrigação republicana de quem o nomeou.
Retomo o que já anteriormente escrevi. Navegar por entre a teia kafkiana da legislação aplicável aos concursos de professores é um desesperante exercício de resistência. Só legisladores mentalmente insanos e socialmente perversos a podem ter concebido, acrescentando sempre uma nova injustiça à anteriormente perpetrada. Leiam as 1347 páginas das listas de subcritérios, agora tornadas públicas, verdadeiro hino à liberdade de disparatar, e ousem dizer-me que não tenho razão.
Os concursos de professores tornaram-se coreografias sinistras, danças macabras de lugares para despedir docentes. É isso que está em causa. Não as reais necessidades das escolas, muito menos as do país vindouro.
A distorção nas representações sobre as condições de exercício da profissão docente, ardilosamente passada pelo Governo para a sociedade em geral, atingiu o limite do suportável e ameaça hoje a própria integridade profissional dos professores, que não se têm afirmado suficientemente vigorosos para destruir estereótipos desvalorizantes. Com tristeza o digo, mas a classe dos professores manifesta-se cada vez mais como uma classe de dependências. E quem assim se deixa aculturar, dificilmente compreenderá o valor da independência e aceitará pagar o seu custo.
Quando o Papa proclama, em boa hora, que não há mães solteiras, mas tão-só mães, nós, classe docente desunida, demoramos, primeiro, e somos inconsequentes, depois, a dizer que não há professores de primeira e professores de segunda, mas tão-só professores. Caímos na armadilha de calar as aspirações legítimas de uns com o retrocesso das aquisições de outros, contentes por termos evitado o vandalismo maior que o Governo projectava para todos. Enquanto isto, a colega de Bragança enche o carro com as tralhas de mais uma mudança de casa e ruma a Vila Real de Santo António, engolindo a raiva. Sem que uma solidariedade operante, atempada, impeça que a calquem.
O que este Governo mudou no sistema de ensino português terá consequências cujo alcance não está a ser percebido pela maioria dos portugueses. Mas há um universo, o dos professores, que se assume como espectador num processo em que é actor. Por omissão, concedo. Com gradientes diversos de responsabilidade, volto a conceder. Mas com o ónus global de não dizer não. Um não veemente quanto necessário para pôr cobro aos dislates de uma política que nos reconduz ao passado e nos recusa o futuro. A crise financeira e económica não justifica o pacifismo reinante face à crise da democracia. Os sindicatos, as associações profissionais, os directores de escola e os professores, pese embora o que têm feito, o que dizem e escrevem, acabam por ser espectadores num processo em que, historicamente, serão julgados como actores. Actores de uma tolerância malquista, que vai poupando a besta que não os poupa.
A arrogância, o ódio aos professores, a ignorância sobre a realidade do sistema educativo e das escolas e a impreparação política e técnica são os eixos identificadores daquilo que poderemos designar por bloco central de governo da Educação da última década. Se apelarmos à memória, salta à vista a convergência ideológica entre Maria de Lurdes Rodrigues e Nuno Crato, relativamente ao papel dos professores. Uma ou outra divergência quanto a processos não apaga o essencial. Do outro lado da barricada, a classe dos professores não interiorizou, enquanto tal, a dimensão política da sua profissão. E, em momentos vitais das lutas a que tem ido, soçobrou por isso.
        

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Lopes Guerreiro em o ALVITRANDO indigna-se pelo incumprimento das mais elementares direitos de todas as instâncias para com os alunos com n.e.e.

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OUT 14

Quase três semanas decorridas sobre o início do ano lectivo e aos pais não foi dada qualquer informação sobre que apoios vão ser atribuídos aos alunos com necessidades educativas especiais e quando vão começar. É este o respeito que as crianças e os pais merecem de quem tem responsabilidades sobre a matéria. 
Mas, entretanto e por portas e travessas, vamos tendo algumas informações de que, tal como receávamos, os apoios propostos pelas escolas, de acordo com o conhecimento das necessidades efectivas dos alunos, não vão ser assegurados, ficando mesmo aquém dos do ano passado, que foram já bastante reduzidos. 
Para agravar ainda mais a situação, os professores de ensino especial são em número insuficiente e os auxiliares de educação não chegam para as encomendas, correndo riscos de segurança não só estes alunos como todos os outros. 
E perante tudo isto como se comportam as várias instituições? 
O Ministro da Educação disse que o ano começou dentro da normalidade. O presidente do Agrupamento de Escolas Nº 1 de Beja (no caso concreto que conheço), que no ano passado se mostrou incapaz de alterar a situação porque não a conhecia bem, este ano ainda não disse nada. A Associação de Pais e Encarregados de Educação tarda em manifestar-se. A Câmara Municipal de Beja, que no ano passado só apareceu quando os pais e alunos se manifestaram, só tardiamente reuniu o Conselho Municipal de Educação e disse que iria tomar as medidas necessárias para que a situação não se repetisse e que este ano, disse agora, na sequência da reunião daquele Conselho que havia uns problemazitos por resolver e não sabemos se fez alguma coisa para evitar esta situação. Os Órgãos de Comunicação Social que no ano passado fizeram trabalhos sobre o assunto, com especial destaque para o Diário do Alentejo que até ganhou um prémio pela reportagem sobre o tema, ainda nada disseram sobre a situação. 
E as crianças e os pais continuam à espera… As crianças sofrendo na pele as consequências de práticas políticas e administrativas que não as respeitam, nem aos seus direitos nem sequer as leis e convenções que estão em vigor. Os pais que sofrendo com as dificuldades dos filhos são ainda castigados com o incumprimento da legislação por quem tem a obrigação de a cumprir, pela insensibilidade de quem tem responsabilidades na matéria, pelo desinteresse pela inclusão que vai grassando na sociedade, fruto do salve-se quem puder. 
Aos responsáveis – a todos eles -, só peço uma coisa: Deixem-se de hipocrisias e assumam que as políticas e práticas inclusivas não são uma prioridade nem estão na moda! Assim, deixaremos de nos desiludir e de frustrar as nossas expectativas cada ano que passa. 
Isto não passa de um grito de revolta, de quem sabe que a revolta não costuma ser a melhor conselheira para a acção e a luta pelos nossos direitos e dos nossos.
publicado por Zé LG às 13:43

OPINIÃO A autodeterminação das pessoas com deficiência será mesmo um “remar contra a maré”? ANA MARIA BÉNARD DA COSTA 03/10/2014 - 02:15

O movimento designado por auto-determinação é hoje uma orientação difundida na generalidade dos países em que se valoriza a inclusão das pessoas com deficiência


Por mais que se proclame em relação às pessoas com deficiência o seu direito a uma vida independente, tão inserida na comunidade e tão capaz de assumir decisões quanto possível, muitas das medidas que actualmente estão a ser propostas, entre nós, a nível oficial, nos sectores da educação, do apoio social ou da inserção profissional têm sido caracterizadas por uma orientação totalmente oposta. A notícia que no dia 24 de Setembro, foi publicada no jornal PÚBLICO sobre a criação de “assistentes pessoais para deficientes” é um exemplo claríssimo desta atitude que podemos considerar como limtadora da liberdade e dignidade desta população.

O movimento designado por auto-determinação (o self advocacy movementiniciado nos anos 60 nos E.U. em estreita ligação com a luta pela defesa dos direitos humanos) é hoje uma orientação difundida na generalidade dos países em que se valoriza a inclusão das pessoas com deficiência. O seu principal objectivo consiste em promover medidas que permitam que estas pessoas tenham o poder de falar por si próprias, de tomar decisões sobre a sua vida e de solicitar os serviços de apoio que considerem necessários para poder funcionar da forma mais realizada possível no ambito familiar, social, profissional e cultural.
Ao longo dos anos em que estive diretamente envolvida na educação especial, acompanhei o rápido progresso verificado em inúmeros países (e também entre nós) na aplicação desta perspectiva nos programas educativos e naqueles que visavam, de forma particular, a inserção dos jovens na vida activa.
Ao discordar do projecto que agora foi apresentado e ao concordar com os argumentos que o contestam por parte do Movimento (d)Eficientes Indignados, não pretendo afimar que as pessoas com limitações graves de diversas ordem não precisem, em diferentes situações, da intervenção de pessoas que os ajudem o que, muitas vezes, implicará a disponibilidade de meios financeiros para o conseguir. E, nesse caso, algumas dessas pessoas (certamentre não todas) poderão, eventualmente, precisar de alguma preparação para tal. Mas, para a garantir haverá certamente muitas outras soluções, diferentes da que foi proposta, mais simples de organizar e, sobretudo, tal como acontece com a generalidade das situações em que não existem condições de deficiência, definidas caso a caso, e com a direta participação por parte de quem requere essa ajuda ou de suas famílias.
Criar uma nova profissão, definir a respectiva formação, carreira, vencimento e forma de avaliação e, com tudo isto, evitar que seja a pessoa que precisa de ajuda a ter meios financeiros para contratar quem a possa ajudar, parece ser um caminho totalmente contrário daquele que visa a autonomia e a autodeterminação que são pressupostos fundamentais da valorização e dignificação das pessoas em causa.
Professora aposentada, ligada à Rede Inclusão
    

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Um quinto dos idosos no Alentejo sem dinheiro para comida - LUSA 01/10/2014 - 16:39

Observatório de Saúde faz denúncia no parlamento.


Um quinto dos idosos no Alentejo afirma não ter dinheiro para se alimentar, revelaram nesta quarta-feira responsáveis do Observatório de Saúde, apontando o envelhecimento da população sem os cuidados adequados como um dos problemas mais graves do país.
A denúncia foi feita durante uma audição na Comissão Parlamentar de Saúde, requerida pelo BE e pelo PS, para “esclarecimentos sobre o Relatório da Primavera 2014”.
Os coordenadores do Observatório Português dos Sistemas de Saúde (OPSS) Ana Escoval e Manuel Lopes apontaram a população idosa e a saúde mental como dois dos assuntos mais “graves” e a necessitar de respostas urgentes.
Sobe os idosos, Manuel Lopes revelou aos deputados da comissão que “alguns grupos de investigação estão a estudar os idosos e dizem que o que está a acontecer no Alentejo é que 20% destas pessoas afirmam que não têm dinheiro para se alimentar adequadamente”.
Outro aspecto sublinhado é que para a população com mais de 75 anos a questão da difícil autonomia e necessidade de ajuda é “muito grave”.
“Há pessoas enclausuradas em casa há muitos anos, em prédios antigos sem elevador, e sem cuidadores. Isto é um problema muito grave. Preferimos alimentar a indústria do betão do que dar a possibilidade de as pessoas se manterem em casa”, afirmou o responsável, citando duas recentes teses de doutoramento sobre esta realidade nos bairros históricos e Lisboa e do Porto.
O coordenador do OPSS salientou ainda que nos casos em que os idosos têm cuidadores, estes são frequentemente pessoas de idade idêntica, com dificuldades idênticas e em exaustão.
Relativamente ao problema da saúde mental, os responsáveis mostraram-se particularmente preocupados com a falta de recursos humanos para cuidar destes doentes e com o tempo de espera entre o aparecimento dos sintomas e o início dos tratamentos.
O tempo que medeia o início dos sintomas, a primeira consulta e o começo dos tratamentos “está acima de todas as médias europeias” e está a aumentar, disse, considerando este um dado de “enorme importância que precisa de ser considerado”.
Ana Escoval apontou ainda o facto de os hospitais serem financiados em função do número de camas, ficando sem meios para fazer o acompanhamento domiciliário, os tratamentos na comunidade.
Para ilustrar a falta de recursos humanos nesta área e a incapacidade de contratar alguém, a mesma responsável contou que num hospital do Norte foi dada ordem para encerrar o serviço de psiquiatria no mês de agosto.
O serviço só não fechou, porque os profissionais se organizaram e voluntariaram para conseguir manter a unidade em funcionamento, não acatando a ordem superior de encerramento, contou.
Para a responsável este é um dos casos que se passam nas unidades do Serviço Nacional de Saúde e que são sintomáticos do estado de exaustão em que se encontram os profissionais e para o qual as ordens dos médicos e dos enfermeiros têm vindo a alertar.
Manuel Lopes salientou que os serviços de saúde mental e de psiquiatria que o país tem são “muito maus”, frisando que “em toda a região sul não há resposta nenhuma para a área da saúde mental”.
Nesta audição, os deputados limitaram-se a tecer considerações sobre o conteúdo do documento, com os partidos da esquerda a sublinhar as conclusões do relatório e os deputados da direita a acusarem o observatório de ser movido por interesses político-partidários.
Teresa Caeiro, do CDS, disse mesmo que o relatório é um “canhenho de subjectividade”, a pretender fazer literatura em vez de apresentar propostas.
Em resposta, Manuel Lopes afirmou que a “acusação de subjectividade a pessoas que se preocupam com investigação é das coisas mais ofensivas que se pode dizer”.
Ana Escoval quis deixar claro que “isto não é para fazer panfleto político, é para chamar a atenção das pessoas, fazendo-o com base na evidência científica existente”.

Atenta Inquietude: PEDIDO DE DESCULPA OU PEDIDO DE DEMISSÃO

Atenta Inquietude: PEDIDO DE DESCULPA OU PEDIDO DE DEMISSÃO: .

quarta-feira, 1 de Outubro de 2014

"Pais lamentam que Outubro comece com "muitos milhares de alunos sem alguns professores""

A situação que se vive em boa parte das escolas neste início de ano lectivo é de uma tal gravidade que num país com uma cultura de responsabilização política e ética, os responsáveis por este cenário já teriam assumido a única atitude decente e séria, a demissão.
Um Ministro da Educação que faz de palavras como rigor, competência e exigência as suas bandeiras não pode ter o deplorável comportamento de desvalorização sistemática dos erros graves e atrasos no processo de colocação de professores e funcionários que levam a que em muitas das escolas, sobretudo as que integram TEIPs ou têm contratos de autonomia, ainda tenhamos milhares de alunos sem aulas completas duas semanas depois de se ter iniciado o ano lectivo. Não vale a pena enunciar as consequências desta situação.
É importante sublinhar ainda o caso de muitos alunos com Necessidades Educativas Especiais que por falta de funcionários, técnicos e professores continuam em casa, criando enormes dificuldades às famílias e vendo atropelado um direito básico, o direito à educação.
A tudo o isto o Ministro de forma arrogante patológica vai respondendo que se trata de casos pontuais e tudo corre normalmente apesar de um patético pedido de perdão pelo erro na fórmula de cálculo na ordenação das candidaturas dos professores.
Se o acto de contrição fosse sério, não pediria desculpa, pediria a demissão.