sábado, 8 de agosto de 2015

POLÍTICA Uma “voz de alerta” no Parlamento - Expresso

Joana Pereira Bastos
JOANA PEREIRA BASTOS

A jurista Ana Sofia Antunes, presidente da ACAPO, concorre pelo círculo de Lisboa nas listas do PS
ALBERTO FRIAS
A bengala ajuda a tatear o caminho. Sem despistar obstáculos no longo corredor alcatifado, Ana Sofia avança com passos firmes mas vagarosos. Ao fim de alguns metros, no entanto, há algo de diferente por baixo dos seus saltos altos. O chão já não é aveludado, o que prenuncia uma mudança. Vários centímetros à frente, a bengala nota uma inclinação. Um, dois, três degraus. “E agora? A porta do hemiciclo fica à esquerda ou à direita?”. Lentamente, o mapa do Parlamento começa a desenhar-se na mente de Ana Sofia Antunes, cega de nascença e candidata do PS às legislativas, que deverá ser a primeira pessoa com deficiência a chegar a deputada.
Se for eleita — estando em 19º lugar pelo círculo de Lisboa tudo indica que sim —, a presidente da Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (Acapo) não tem dúvidas: fará dos direitos dos deficientes a sua bandeira. “Obviamente será essa a minha causa. Serei uma voz de alerta para chamar a atenção para coisas muito simples que podem facilitar enormemente a vida das pessoas com deficiência, de que muitas vezes as outras pessoas nem sequer se lembram”.
Para a advogada, de 33 anos, as pessoas com deficiência não se sentiam, até agora, devidamente representadas, o que se reflete em altos níveis de abstencionismo. “Como poderíamos sentir-nos se nem sequer podemos votar sozinhos, sem ajuda de alguém?”, questiona.
A “acessibilidade do voto” é, precisamente, uma das medidas por que vai bater-se no Parlamento. Não é difícil, nem muito dispendiosa, garante. Basta dispor cada local de voto de uma matriz em Braille, uma espécie de escantilhão que se põe por cima do boletim e que indica o nome de cada partido, à frente do qual está um quadrado vazado. Fazendo uma cruz nesse espaço, o cego estará na verdade a inscrevê-la no boletim normal que se encontra por baixo. “Desse modo, não teremos de passar pela situação humilhante de ter de pedir a alguém que vote por nós”, explica.
A educação especial, que “regrediu brutalmente nos últimos anos”, a acessibilidade pedonal e o combate à discriminação, nomeadamente no que diz respeito ao emprego, serão outras das suas preocupações.
A este nível, Ana Sofia sabe do que fala. Terminou o curso de Direito com a terceira melhor média do seu ano, mas esteve seis meses até conseguir que algum escritório de advocacia a aceitasse para estagiar, ao contrário dos seus colegas que conseguiram colocação imediata. “Foi a fase mais dura da minha vida”, confessa.
Os futuros patrões não percebiam como é que alguém que não vê poderia ler os calhamaços de processos que enchem os escritórios de advogados. Mas um simples software instalado no seu portátil resolveu o problema. O programa de voz lê o conteúdo dos textos que estão a ser projetados no ecrã, desde que estejam em Word e não em PDF.
Foi com esse software que trabalhou como jurista da Câmara de Lisboa, onde entrou em 2007 pela mão da então vereadora da oposição, Helena Roseta. Dois anos depois, Ana Sofia passou a trabalhar diretamente com o vereador da Mobilidade, Fernando Nunes da Silva, tendo coordenado o plano de acessibilidade pedonal direcionado para pessoas com deficiência, que começará agora a ser executado, com a eliminação de obstáculos em passeios e edifícios públicos.
Foi o trabalho na autarquia que levou António Costa a convidar a jurista, presidente da Acapo desde o ano passado. Mesmo que não seja eleita, Ana Sofia acredita que já ganhou. Ela e todas as pessoas com deficiência, diz. “Abriu-se uma porta que nunca se tinha aberto. Até hoje, nenhuma pessoa com deficiência foi eleita para um cargo público. Mas agora há uma nova esperança. Se pode haver um deputado, também pode haver um ministro ou um autarca, como acontece lá fora”.
publicado aqui

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

.: 7º FESTIVAL ASSIM VIVEMOS TERÁ 33 FILMES DE 20 PAÍ...

.: 7º FESTIVAL ASSIM VIVEMOS TERÁ 33 FILMES DE 20 PAÍ...: 7º FESTIVAL ASSIM VIVEMOS TERÁ 33 FILMES DE 20 PAÍSES EXIBIDOS NO CCBB “Assim Vivemos – Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência”...
Festival Assim Vivemos

INCLUSO: Sobredotados na escola: O sossego que os incomoda

INCLUSO: Sobredotados na escola: O sossego que os incomoda

Espaço de debate, informação, divulgação de atividades, partilha de documentos e troca de experiências relacionados com o processo de inclusão dos alunos com necessidades educativas especiais

O SOM DAS CORES

Novo tratamento ajuda paraplégicos a recuperar movimentos das pernas sem cirurgia


Lesões na coluna espinhal podem ser fatais, afinal essa estrutura do corpo é responsável por levar os comandos do cérebro para todo o corpo. E mesmo quando essas contusões não matam, muitas vezes podem levar a paralisia das pernas ou mesmo dos braços também. No entanto, um novo tipo de terapia, testado nos Estados Unidos, tem mostrado resultados animadores para a recuperação desse tipo de caso, sem necessidade de cirurgia. Os resultados foram publicados na edição de Agosto do Journal of Neurotrauma. 
ver mais aqui

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

REVISITANDO OS JORNAIS!!!LEMBRAM-SE??? CONTINUA TUDO NA MESMA???Helena Roseta reclama alteração da lei para facilitar acessibilidade de portadores de deficiências motoras

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Helena Roseta, do movimento Cidadãos por Lisboa, quer que o Governo coloque em vigor a alteração legislativa proposta no Plano Nacional de Promoção da Acessibilidade (PNPA) em relação à adaptação dos edifícios de habitação, de forma a facilitar a acessibilidade de pessoas portadoras de deficiências motoras.
Na sua opinião, o Código Civil não deve continuar a dar poder de decisão aos condóminos quando em causa está o acesso de alguém com dificuldades de mobilidade à sua própria habitação. Na actual legislação, as alterações estéticas dos prédios carecem de aprovação da maioria dos moradores quando se trata de uma mudança numa área de utilização comum. 
Roseta está solidária com a família do jovem de 25 anos, portador de paralisia mental incapacitante a 95 por cento, que não consegue autorização dos condóminos para transformar três degraus numa rampa, que permita a Hugo Emanuel sair de casa na cadeira de rodas desenhada especialmente para os seus problemas de saúde (ver PÚBLICO de 25/10). 
"Este caso [de Ovar] é muito chocante, mas não é um caso individual", afirma a vereadora, lembrando que os Censos de 2001 revelam que há 56.730 pessoas portadoras de deficiências motoras - 5111 só em Lisboa - que vivem em prédios sem rampas e inacessíveis. "Não é uma teimosia deste condomínio em concreto, é uma teimosia da lei portuguesa", sublinha. 
"Trata-se de cumprir com uma coisa que eles [responsáveis governamentais] próprios aprovaram", refere Roseta, embora reconheça que essa alteração esteja ainda dentro do prazo estipulado. "É uma situação grave e não podemos estar um ano e tal à espera", justifica. Até porque, em seu entender, o problema pode colocar-se a qualquer pessoa que parta um braço ou uma perna e precise de movimentar-se numa cadeira de rodas para entrar num apartamento. "E isto acontece quase todos os dias e é mais grave quando a solução está prevista e não tem custos para o orçamento de Estado", repara. 
Apesar de o Decreto-Lei 163/2006 de 8 de Agosto não obrigar à adaptação dos edifícios de habitação, Roseta recorda que o PNPA, aprovado em Conselho de Ministros em 2006, prevê a revisão do regime jurídico da propriedade horizontal. 
Ou seja, que haja flexibilidade e cobertura legal "a todas as situações em que os direitos - de compropriedade - dos condóminos sobre as partes comuns do prédio tenham de ser limitados pelo direito de um condómino em aceder em condições de segurança à sua fracção e às partes comuns do prédio". 
O apelo do movimento Cidadãos por Lisboa dirige-se aos responsáveis das Secretarias de Estado das Obras Públicas e das Comunicações, da Reabilitação e da Administração Local, bem como ao gabinete de política legislativa do Ministério da Justiça. 

A família de Hugo, jovem com paralisia mental, não consegue autorização dos condóminos para fazer uma rampa 

Há mais de 200 praias portuguesas 'acessíveis' a todos (informação INR, publicado no Público)

Há mais de 200 praias portuguesas 'acessíveis' a todos



A praia da Conceição, em Cascais, é considerada uma das mais acessíveis do país